Semana Santa com 'esticadão' deve atrair mais de meio milhão de turistas e movimentar R$ 5,5 bi em MG

Feriado estendido começa na Sexta-Feira da Paixão (18) e vai até segunda (21), data em que é celebrado Tiradentes
O Tempo Por Rodrigo Oliveira
Dos tapetes coloridos enfeitando as cidades históricas às encenações religiosas, o exercício da fé enche o coração dos fiéis e movimenta o turismo religioso em Minas Gerais. Neste ano, a expectativa é ainda mais alta com o feriadão estendido - que começa na Sexta-Feira da Paixão (18) e vai até segunda (21), data em que é celebrado Tiradentes. O governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), estima que a data vai atrair 550 mil visitantes e movimentar R$ 5,5 bilhões neste ano.
“A Semana Santa é o nosso período de maior atração de turistas, bate todos os recordes de outros períodos do ano em Minas Gerais. Também temos conseguido atrair pessoas de outros países. Em 2024, por exemplo, o Chile foi o principal país de origem dos turistas estrangeiros”, detalha o vice-governador Mateus Simões.
Para potencializar ainda mais a data, o governo lançou em março a terceira edição do programa Minas Santa - que prevê uma série de ações e atividades durante o período. A intenção é organizar e estruturar os roteiros de fé e possibilitar a capacitação de mão-de-obra. O programa tem ações que abrangem os 853 municípios e mais de mil distritos - incluindo celebrações católicas, suas procissões e encenações da Paixão de Cristo, passando pela arte e música gospel, até as expressões culturais afro-mineiras.
"A nossa expectativa é que a gente tenha não só o turismo religioso convencional, mas também o turismo de contemplação, de natureza, a experiência da cozinha mineira em todo o estado. Estamos falando de 700 atrações já cadastradas para o Minas Santa deste ano", acrescenta Simões.
Com a boa expectativa do governo sobre o turismo, o setor hoteleiro também espera um aumento significativo na ocupação e na receita. “Embora não haja dados específicos sobre a contribuição do setor, é evidente que a hotelaria desempenha um papel crucial nessa movimentação econômica esperada pelo governo, dada a necessidade de hospedagem para os milhares de turistas que visitam o estado nesse período”, afirma Diego Pires, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-MG).
Segundo ele, o “grosso” do público que aproveita a Semana Santa para turistar tem faixa etária entre 30 e 60 anos, incluindo casais, famílias e grupos religiosos. Jovens adultos também marcam presença, principalmente os interessados no turismo cultural.
“Também notamos a predominância das classe média e média alta, com bom poder de consumo para hospedagem e experiências gastronômicas, e que preferem hotéis de médio e alto padrão, pousadas charmosas e hospedagens históricas. Também há um aumento no aluguel de casas por temporada”, elenca.
Já na capital mineira, especificamente, a expectativa é atrair turistas principalmente de outras cidades do estado. Segundo a Pesquisa de Demanda Turística da Belotur de 2024, da PBH, 35,09% dos turistas que visitaram a cidade no período foram do interior de Minas. Em seguida, destacam-se os visitantes de São Paulo (16,9%), Rio de Janeiro (10%) e Espírito Santo (3,9%).
“O impacto econômico do turismo durante a Semana Santa em Belo Horizonte é significativo. Cada turista gasta, em média, R$ 352,01 por dia. Ao considerar os quatro dias do feriado, espera-se que cada visitante gaste cerca de R$ 1.408,04 na economia local, beneficiando setores como hospedagem, alimentação, transporte e lazer”, aponta a Belotur.
Cidades históricas
As prefeituras das cidades históricas, muito procuradas nesta época do ano, também estão otimistas em relação ao feriado. Caio Andrade, secretário de cultura e turismo de São João del-Rei, afirma que o período impacta significativamente a economia local, principalmente nos setores de hospedagem, alimentação, comércio e serviços. A expectativa para 2025 é que mais de 50 mil turistas visitem a cidade, movimentando cerca de R$ 70 milhões.
“Trata-se do maior período de movimento turístico na cidade, em razão da singularidade da tradição e ritos preservados. Nessa época é grande o fluxo de turistas de diversas partes do país e do exterior. Muitos estabelecimentos registram lotação máxima, reforçando a importância do evento para a economia local”, aponta.
Hotéis de lazer
Fora do tradicional turismo religioso, Marcelo Oliveira, diretor de projetos da Associação Mineira de Hotéis de Lazer (AMIHLA), afirma que a expectativa “é maior” neste ano. Apesar de não fornecer números específicos, ele aponta que o setor tem passado por um aquecimento e os turistas procuram principalmente por cidades como Tiradentes, Ouro Preto e Lavras Novas.
“Muitos clientes optam por hotéis que oferecem estruturas de lazer, com foco nas experiências, seja um hotel-fazenda, um resort ou uma pousada. A busca por cidades históricas também permite que as famílias vivenciem experiências culturais e religiosas, o que acaba agregando à estadia”, diz.
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