Lilás, amarelo e azul-marinho: conheça as campanhas de saúde de março

Iniciativas buscam aumentar a conscientização e o enfrentamento do câncer de colo do útero, da endometriose e do câncer colorretal
O TEMPO
O mês de março é marcado pela promoção de três importantes campanhas de saúde, com diferentes objetivos. Com as cores lilás, amarelo e azul-marinho, as iniciativas buscam aumentar, respectivamente, a conscientização e o enfrentamento do câncer de colo do útero, da endometriose e do câncer colorretal.
Março Amarelo
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, a endometriose afeta cerca de 176 milhões de mulheres, sendo mais de 7 milhões somente no Brasil. A endometriose é uma doença comum e benigna, que ocorre quando o endométrio (mucosa que reveste a parede interna do útero) cresce em outras regiões do corpo.
O médico da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Eduardo Cândido, alerta que até 30% das mulheres que chegam ao consultório com queixas de dor crônica na região pélvica podem ter a doença e 50% das pacientes com endometriose, também podem estar inférteis: “o diagnóstico precoce e o correto acompanhamento e tratamento por uma equipe especializada e multiprofissional, podem trazer melhoria da qualidade de vida para a paciente. Até para aquelas que desejam engravidar, é possível se avaliar condições terapêuticas a fim de que se aumentem as chances de uma possível gestação”.
Março Lilás
O câncer de útero, segundo dados oficiais, é a terceira doença mais frequente entre a população feminina no Brasil, atrás do câncer de mama e de colorretal. Promovida pelo Ministério da Saúde, a campanha Março Lilás tem como intuito conscientizar a população sobre a prevenção e no enfrentamento do câncer de colo do útero, que ocupa a quarta causa de morte de mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a previsão no período de 2020/2022, o país alcançaria 16.710 novos casos da doença.
O câncer de colo uterino, apesar de ter uma evolução lenta e de ser totalmente prevenível, ainda ocupa o 4º lugar entre óbitos por câncer entre as mulheres, com idade a partir de 25 anos, durante a fase reprodutiva, aumentando progressivamente a partir dos 40 anos. “maioria dos diagnósticos ainda é feito em fases de doença localmente avançada ou metastática. Sabemos que é causada pela infecção e persistência do vírus HPV, adquirido através da relação sexual”, afirma Adriana Lucena, da Sogimig.
Março Azul
A campanha “Março Azul” tem o objetivo de conscientizar os brasileiros para a prevenção e o combate ao câncer de cólon e reto (ou câncer de intestino), o terceiro tipo de câncer que mais mata no país e um dos mais incidentes no Brasil.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam uma estimativa de 45.630 novos casos anuais entre 2023 e 2025, correspondendo a um risco de 21,10 casos por 100 mil habitantes brasileiros. Deste total, 23.660 em mulheres e 21.970 entre os homens. Os números são preocupantes e exigem, cada vez mais, iniciativas que alertem os brasileiros sobre a adoção de hábitos saudáveis e a importância da realização de exames preventivos, sendo a colonoscopia o melhor método.
Fatores de risco
De acordo com o Rodrigo Roda, coordenador do Setor de Endoscopia do Mater Dei Santo Agostinho e Mater Dei Betim-Contagem, o estilo de vida tem grande influência para o aparecimento do câncer de intestino: “somente 20% dos casos têm predisposição genética. Entre os principais fatores de risco estão a idade (após os 45 anos os riscos aumentam significativamente), alimentação inadequada (consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, embutidos e carne vermelha), tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e excesso de peso”.
Prevenção
A colonoscopia é a forma mais poderosa no combate ao câncer de intestino e reduz a mortalidade em até 80%. Independentemente do sexo ou da presença de sintomas, todos devem fazer o exame a partir dos 45 anos. “O procedimento é rápido, seguro, indolor e permite a retirada dos pólipos – verrugas que surgem no intestino e que possuem o potencial de virar câncer. Esse processo entre o aparecimento do pólipo até o desenvolvimento da neoplasia leva cerca de 10 a 15 anos. Por isso, a colonoscopia realizada no momento certo é tão eficaz na prevenção do câncer”, garante Rodrigo Roda.
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